terça-feira, 7 de abril de 2026

Trump e a civilização

Trump propõe-se abolir a 'civilização iraniana' numa noite.

De facto, Trump fala do que não conhece. Diria que Trump não lê nem ouve, porque não lhe interessa conhecer o conceito 'civilização', visto que lhe falta educação e racionalidade. 
Nos últimos séculos, este conceito que, inicialmente, era programático, pois visava estabelecer um novo modelo de sociedade, acabou por ser utilizado para afirmar 'a superioridade' de algumas culturas e para legitimar o colonialismo... 

Na história deste planeta, muitos foram os 'heróis' que se imortalizaram à custa da destruição e do saque de territórios e de populações, a começar pelo própria Persa/ Irão. E Trump não é diferente. Imagina-se divino porque, infelizmente, a corte de sicofantas não pára de bajular o Imperador.

E continuamos reféns deste 'monstro'...

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Olho por olho, dente por dente...

Há dias em que a Sammy procura o ar livre, mas, de facto, basta-lhe subir ao patamar superior e ficar por ali a respirar suavemente a diferença... Aprendeu a exigir essa fuga temporária que muito perturba os humanos, mas sem razão de ser. Ela regressa sempre à casa de partida...

Faz por estes dias seis anos que também eu procurei o ar livre, que acabou por se revelar ilusório. O tempo segue imperturbável, apesar dos fluxos de seca, de ventania ou de chuva. Só eu me agito num círculo fechado cada vez mais asfixiante.
Lá fora, continua 'o olho por olho, dente por dente', convidando à clausura... e ameaçando com o extermínio. Mas o que mais me acabrunha é a mentira dos venturas armados em deuses, e ver que o séquito vai engrossando... cá dentro e lá fora, sem perceber que a fronteira é uma criação humana para evitar a política do 'olho por olho, dente por dente'...
Nem as pontes sobrevivem.

terça-feira, 31 de março de 2026

Só impressões

Questionados os factos, vou-me ficar pelas impressões. Por exemplo, Clarice Lispector insiste em partir de 'fatos' para dar corpo ao texto, mas eu cansado de tanta inverosimilhança desisto da leitura. Descubro que prefiro folhear um antigo manual de Latim que me vai ajudando a compreender a etimologia desta língua tão maltratada...
Dizem-me, entretanto, que José Saramago arrisca cair na gaveta dos fundos, tal como já aconteceu com Carlos de Oliveira, Fernando Namora, Agustina Bessa-Luís, Virgílio Ferreira... Almeida Garrett... O premiado parece ser Mário de Carvalho, o que não se compreende muito bem... pois ideologicamente, esperar-se-ia outro opção, por exemplo, António Lobo Antunes. Ou será só fumaça?
De qualquer modo, se objetivo é reduzir o esforço inteletual dos adolescentes, o melhor é desistir. Há muito que eles deixaram de ler Camões, Pessoa... - a língua atual é bem diferente, cada vez mais obscena e tantã.

sábado, 28 de março de 2026

A carreira do Martim Moniz

No Parque das Nações, à espera de autocarro: um homem dá nas vistas: olhar mortiço, cabelo sujo e desgrenhado, veste casaco seboso, não do avesso, mas com a gola em baixo.... Não sei se conseguem imaginar! Destino: Martim Moniz.
Fiquei a pensar que o destino se faz anunciar na subversão da expectativa e na indiferença das testemunhas que preferem não o ser.
Por mais que não queiramos, a carreira do Martim Moniz encerra a nossa crueldade, incapazes de atravessar o corpo...

segunda-feira, 23 de março de 2026

O ovo e a leitura

A leitura de Clarice Lispector obriga-me a pensar no sentido da escrita ou, melhor dizendo, se a escrita dá corpo ao sentido ou se procura desfazê-lo - em muitos casos, a escrita avança como se o importante estivesse no preenchimento do vazio... Ao contrário, por exemplo, de Balzac que, nas suas 'histórias de mulheres' as apresenta lineares, como contraponto uma da outra - Renée e Louise.
A coerência é para Balzac um traço fundamental do comportamento da personagem, mesmo se esta age irracionalmente - o desnorte faz sentido. O leitor pode sentir-se cansado por causa da repetição, da previsibilidade, mas não por ausência de sentido...
Clarice Lispector cansa-me, torna-me masoquista, porque como leitor insisto em procurar o sentido de palavras que vão gerando um labirinto cada vez mais sem saída, como acontece com o velho dilema do 'ovo e da galinha'. 
Apesar de tudo, a galinha não pode reivindicar a posse do ovo, porque este não é uma especificiadede da capoeira. Basta pensar no 'ovo da serpente'.
Ocupar o vazio é uma tarefa primordial para quem ainda tem algum tempo, e não quer perder-se nas guerras de ocupação em curso, tão antigas como o ovo - só casca, sem clara nem gema. Por mais que acreditem no contrário, no fim restará sempre o ovo.

terça-feira, 17 de março de 2026

Pepetela, Tudo-está ligado

Fui lendo o romance com alguma satisfação, atento à reconstrução de memórias das personagens mais importantes, Santiago, Joca, Domingos, Marta, Marília, Ofeka... Jeremias, Zacarias...Memórias profissionais, das guerras coloniais, civis e até de tempos imemoriais. Memórias filtradas por uma autocensura cumplice de um presente em que os valores deixaram de ter qualquer sentido,
Em alternativa, a utopia dos Kyakas, iluminados que regressam ao Planalto e vivem clandestinamente... sem que YAKA sinta necessidade de pronunciar-se, até porque os colonialistas portugueses há muito regressaram ao ponto de partida.
Quanto a Pepetela, talvez se reveja na afirmação do major Santiago: Tudo ligado e tudo lixado, Fazer mais como então? Só mesmo resistir.
Não fiquei muito satisfeito com o desfecho, em aberto. Pode ser que o espírito Olegário tenha a chave do futuro e que este venha a ser harmonioso... 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Do novo Presidente da República

Espero que seja honesto, sensato, ponderado e responsável e que, finalmente, António José Seguro não se deixe enredar pelos jogos de poder, seja qual for a sua natureza.
Que deixe para trás o passado, e que, na relação com os poderes constituídos, aja de acordo com a sua visão do presente e do futuro, sem se afastar da vida real, perguntando, se necessário, ao Zé Povinho o que é que vai mal...