Enquanto quem pode não se empenha seriamente na resolução dos principais problemas dos povos e do planeta, eu vou diligentemente limpando o pó aos livros que, cá por casa, fomos acumulando ao longo da vida, e não são poucos e que, sobretudo, datam de tempos em que ainda acreditávamos no valor da leitura...Percorro os títulos e os autores, e fico com a sensação de que estou de regresso a um cemitério de gente que vai caindo no anonimato, apesar do ruído que foram fazendo em vida - alguns!
Confesso que cada vez leio menos, pois o tempo encarregou-se de me afastar dos interlocutores que, por seu lado, já há muito tinham deixado de ler e desaprendido de escrever. Sim, porque de início alguém se empenhou em ensiná-los a ler e a escrever...
Talvez seja por isso que continuo enredado nas obras completas de Balzac e no Latim do Zero, de Frederico Lourenço... outro modo de me fixar nas teias de aranha de que não me consigo libertar... e lá fora, tudo continua cada vez mais quente e mais absurdo.