Sobre avaliação

 

            Novo Sistema de Avaliação - Ensino Básico - Junho 92

            Cadernos de Avaliação nº5

   Avaliar é aprender

            1. A escola básica não é selectiva, o que implica um sistema de avaliação flexível, formativo, não selectivo e eficaz.

            2. À avaliação compete ajudar a detectar as dificuldades de aprendizagem.

            3. O que é que muda?

                        O carácter excepcional da retenção;

                        O reforço da função formativa da avaliação,

                        O desenvolvimento do sistema de apoio e complemento educativo;

                        A dualidade de certificação;

                        O reforço do papel dos alunos e encarregados de educação;

                        A articulação da avaliação dos alunos com a avaliação do sistema de ensino ( avaliação aferida ).

 

            4. Quem avalia? Professores, alunos , encarregados de educação, outros técnicos de educação ... o que impõe a existência  de um processo individual do aluno.

            5. Como se avalia e quando?

                        O percurso escolar dos alunos ao longo de 3 ciclos supõe:

                        - avaliação formativa, de forma contínua e sistemática; no final de cada período os resultados são expressos de modo qualitativo e descritivo; também, no final de cada período, realiza-se o balanço da aprendizagem e formaliza-se a avaliação sumativa. No momento da avaliação sumativa, serão tomadas decisões sore os apoios e complementos educativos considerados necessários.

            6. Apenas no final do ciclo há decisão de progressão ou retenção do aluno.

            7. No final do 9º ano, o aluno receberá o diploma do ensino básico, ou o certificado de cumprimento da escolaridade obrigatória, caso atinja o limite de idade, sem aproveitamento.

            8. No 1º, 3º ,5º, 7º e 8º, no final do 2º período, poderá haver uma avaliação sumativa extraordinária. Esta decisão terá que ser participada ao aluno e ao Encarregado de Educação, no prazo de 5 dias úteis.

            9. O aluno poderá ainda ser submetido a uma avaliação aferida, de modo a avaliar a qualidade de ensino (M.E.) ou a medir o grau de cumprimento dos objectivos curriculares mínimos ( C.P. ). Esta avaliação não terá qualquer efeito nas decisões sobre a sua progressão.

 

            10. Avaliação formativa

             

            Características: -  principal modalidade de avaliação;

                                    - carácter sistemático e contínuo;

                                    - notação descritiva e qualitativa.

 

            Objecto: - conhecimentos;

                           - competências;

                           - capacidades;

                           - atitudes;

                           - destrezas.

 

            Intervenientes: Professores; alunos; serviços de orientação e apoio pedagógico.

 

            Finalidades: Informar ( o professor, o aluno, o Encarregado de educação ) sobre: - o cumprimento dos objectivos curriculares;

          - a qualidade do processo de ensino-aprendizagem.

 

            11. Avaliação sumativa

 

            Características: - juízo globalizante sobre conhecimentos, competências, capacidades, atitudes , segundo critérios definidos pelo Conselho Pedagógico / Escolar.

            Periódica:  final de período;  final de ciclo;  final de ano( sumativa extraordinária

            Notação: 1º ciclo - descritiva; restantes: escala de 1 a 5.

            Intervenientes: Professores e Técnicos de Educação.

            Finalidades: Tomada de decisão sobre: - apoios e complementos educativos;

                                                                       - regime de progressão do aluno;

                                                                       - obtenção dodiploma.

 

            12. Este modelo pressupõe uma nova atitude: a discriminação positiva, que poderá ser realizada através de apoios e complementos educativos. Isto significa que qualquer Plano de Actividades da Escola elaborado por um órgão de gestão, qualquer organização dos espaços e dos horários, terá de levar em linha de conta não só a área-escola e as actividades de complemento curricular, mas também, em íntima articulação com estes, os apoios e complementos educativos a terem lugar. Isto, por sua ez, exige uma verdadeira capacidade de previsão das necessidades, uma vez que muitas das actividades de apoio e complemento só se mostrarão necessárias no fim do primeiro período, quando não no final do 2º.

            13. Os apoio e complementos têm que corresponder à situação de cada aluno, de modo que em momento posterior, possa ser integrado plenamente... ( mudança de atitude ).

            14. Estes programas de apoio podem asumir uma de três formas:

                        - programa específico elaborado por um professor;

                        - programa interdiscipliar ou pluridisciplinar, no caso dos 2º e 3º ciclos, proposto e coordenado pelo coordenador dos directores de turma... e realizado por uma equipa de professores;

                        - programas alternativos, propostos pelo conselho Pedagógico... Este último caso prevê a constituição de grupos de nível, ou seja de grupos de alunos com características semelhantes no que se refere à aprendizagem de uma dada disciplina...

 

            Nota: Regra geral, estes programas de acção são propostos e avaliados pelo D. Turma, aprovados pelo Conselho Pedagógico e coordenados pelo Conselho Directivo.

            O professor responsável deverá sempre apresentar, no final  de cada período, um relatório descritivo do aproveitamento do aluno e um parecer sobre a permanência ou não do aluno essas actividades.

            A avaliação especializada terá um carácter multidisciplinar e interdisciplinar, sendo a iniciativa do Director de Turma, nos 2º e 3º ciclos.

 

            15. A avaliação aferida: só são testados os objectivos definidos e nas condições pré-definiodas;

                Aferição à norma: estas provas aferem o desempenho de um dado grupo de alunos;

             Aferição a critério: estas provas aferem um domínio concreto de resultados pretendidos da aprendizagem.

 

            Nota: As provas previstas no novo sistema de avaliação, uma vez que se destinam a medir o grau de cumprimento dos objectivos curriculares mínimos deverão ser provas aferidas a critério.

 

            Lemos, V.et alii ( 1992 ) in guia da Reforma Educativa

            Rosales, C. ( 1992 ) avaliar é reflectir sobre o Ensino. Porto, Ed. Asa

                          

                II

           

            Avaliação no Ensino Secundário ( Programa de Português )

 

            A avaliação como um elemento regulador:

                                    - assume um carácter sistemático, contínuo e globalizante;

                                    - corresponde a uma situação concreta de aprendizagem interactiva ( aluno / prof. / classe );

                                    - visa a autonomia gradual do aluno;

                                    - perspectiva a aprendiagem de modo global ou circunstancial;

                                    - verifica com critério e um sistema uniforme de notações a realização de aprendizagens fundamentais.

 

            A avaliação intervem:

                        - na determinação do objecto ( processo e produto da aprendizagem );

                        - na elaboração de critérios coerentes com as características do trabalho desenvolvido;

                        - na construção e aplicação de instrumentos adequados.

 

            Quanto aos aspectos específicos da disciplina de língua materna é fundamental avaliar o papel da língua como:

                                    - elemento estruturador do ser;

                                    - forma privilegiada ( enquanto actividade cognoscitiva ) da apropriação do real;

                                    - instrumento de inserção no real.


                        Parâmetros de avaliação, em língua materna

 

            Os parâmetros indicados resultam de uma adaptação do quadro de J. C. Meyer e J. L. Phélut ( 1985), in Didáctica do Português, Emília Amor, p.150.

            Perante uma determinada instrução, como, por exemplo, redigir uma carta, a elaboração fundamentada do teste pressupõe o cotejo dos objectivos de aprendizagem com os de avaliação.

 

            I - Grafia e apresentação

            II - Utilização da língua

            III - Estrutura - organização

            IV - Conteúdo - Ideias

           V - Recursos de Expressão

           VI - Criatividade

 

            A fixação de um nível de aceitabilidade supõe o respeito por certos princípios:

 

            - pertinência: as respostas aos problemas colocados devem ter em conta dados e processos adequados, centear-se na questão e concretizar-se em moldes que respeitem as características definidas;

 

            - completude: as repostas terâo de considerar todos os dados e aspectos relevantes do problema, cumprindo etapas e operações solicitadas;

 

            - exactidão: as respostas seão desenvolvidas com rigor e precisão...

 

            - volume de conhecimentos mobilizados: as respostas apresentar-se-ão como produtos de uma apropriação de saberes, não apenas ao nível do que se diz mas dos recursos utilizados para organizar, apresentar ou argumentar ( sobre ) o que se diz.

 

 

           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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