A aprendizagem formal
O método para o ensino de
atividades formais é o recurso a regras e advertências. O orientador adulto
modela a criança segundo esquemas que ele próprio nunca contestou.
Os esquemas formais quase
sempre se aprendem quando se comete um erro e alguém o corrige. (Tom de
censura).
Os pormenores da
aprendizagem formal são de natureza binária, do tipo sim-não, bem-mal. É
bipolar.
A aprendizagem formal tem
uma carga emocional muito forte.
A
aprendizagem informal
O agente principal da
aprendizagem informal é um modelo, usado para imitação. Aprende-se de uma só
vez todo um conjunto de atividades relacionadas entre si, muitas vezes sem se
saber sequer o que se está a aprender ou que essa atividades são regidas por
esquemas ou regras.
A aprendizagem informal
consiste essencialmente na escolha de outros indivíduos como
modelos. Geralmente, essa escolha
acontece sem que dela se tenha consciência.
Na maioria dos casos, o
modelo não toma parte neste processo senão como objecto de imitação.
A
aprendizagem técnica
A aprendizagem técnica
começa também com erros e correções, mas o tom de voz utilizado é diferente e
explica-se ao aluno o porquê dos seus erros.
A aprendizagem técnica,
na sua forma pura, é quase uma rua de sentido único.
Normalmente, ao
transmitir conhecimentos ao aluno a um nível técnico, quer oralmente quer por
escrito, o professor recorre a termos explícitos.
O ponto crítico não é a
aptidão mecânica, mas a capacidade do aluno seguir instruções ( ex.: formar
mecânicos de aviões).
O professor é que detém o
conhecimento. A sua competência é função dos seus conhecimentos e capacidade
analítica. Se a sua análise for suficientemente clara e minuciosa, ele não
precisa sequer de estar presente. Pode passá-la para o papel ou gravá-la num
disco.
A
consciência formal pressupõe que a tradição tem uma grande
importância. As pessoas que possuem uma consciência formal são provavelmente
mais influenciadas pelo passado do que pelo presente ou o futuro.
A consciência informal
Esta expressão é
paradoxal, porque descreve uma situação na qual quase tudo se processa ao nível
da não consciência.
O informal é constituído
por atividades ou estilos que em tempos aprendemos mas que estão de tal forma
integrados no nosso dia-a-dia que se tornam gestos automáticos ( automatismos
). Podem ser bloqueados quando entra em ação a atividade cerebral.
O carácter inconsciente
dessas atividades formais pode gerar problemas numa situação intercultural.
A
consciência técnica
Todo o comportamento
técnico, que tem aspectos formais e informais, caracteriza-se por ser
plenamente consciente. A essência do técnico consiste precisamente em se situar
ao mais elevado nível de consciência.
O afeto
formal
Toda a violação das
normas formais é acompanhada por uma vaga de emoção. As emoções profundas
surgem associadas ao formal em quase todos os casos.
O afeto informal
Existe pouco ou nenhum afeto
ligado ao comportamento informal, desde que tudo aconteça de acordo com as
regras não escritas ou implícitas. No entanto, sempre que essas formalidades
tácitas são transgredidas, a ansiedade instala-se.
O afeto
técnico
O técnico caracteriza-se
pela inexistência de sentimentos, uma vez que estes tendem a interferir no
comportamento operacional. ( autoridade, lei )
Atitudes
formais face à mudança
Os sistemas formais
caracterizam-se por uma grande coesão. O formal oferece uma enorme resistência
às mudanças impostas do exterior.
As atitudes informais face à mudança
Uma atitude incorreta
perante o informal pode muitas vezes gerar sérios problemas suscetíveis de se
agravarem, já que os indivíduos implicados numa ação informal não têm plena
consciência do que se está a passar.
As
atitudes técnicas face à mudança
As mudanças a introduzir
têm que operar nos aspectos da vida da população local, sendo tratadas de forma
técnica.
O processo da mudança
O estudo da mudança
é o estudo da sobrevivência.
Aquele que deseja
realmente promover a mudança cultural deve descobrir primeiro o que se passa ao
nível informal e indicar com precisão as adaptações informais que parecem
resultar melhor na vida quotidiana. Entra-se assim no nível da perceção. (...)
A vida deve-se à interação dinâmica da substância viva com ela própria e não ao
acaso ou a um qualquer desígnio.
O padrão organizador
"A cultura não tem
origem na experiência nem se reflecte no espelho desta. Além disso, não pode
ser comparada a algo místico concebido enquanto experiência. A experiência é
qualquer coisa que o homem projeta sobre o mundo exterior à medida que a adquire
na sua forma culturalmente determinada."
O que é importante
lembrar é que o padrão só é visto como tal se for analisado no se próprio nível
e se não se sair dele.
Muitas das dificuldades
atuais do nosso ensino advêm de os professores tentarem impor padrões
analisados de forma incorreta ou apenas parcial. Em muitos casos, as descrições
técnicas não se adaptam sequer aos factos.
Os padrões estão
ligados a três leis - a ordem, a seleção e a congruência.
As leis da ordem são
as regras que determinam as mudanças de significado quando a ordem se modifica.
A seleção controla
a combinação de séries que podem ser agrupadas.
As leis da congruência podem
ser definidas como um padrão dos padrões.
Na escrita literária, o
estilo ou congruência dos padrões estão ligados ao conhecimento daquilo quer se
pode ou não realizar no interior de um padrão.
A verdadeira capacidade
artística existe quando a congruência é tão elevada que tudo parece simples e
fácil, quando transmite ideias com tanta clareza que nos interrogamos por que
motivo não as conseguimos transmitir nós próprios.
O artista gosta de jogar
com padrões e de descobrir todas as possibilidades que o material de que dispõe
lhe permite. Fá-lo, aliás, frequentemente, no contexto de pequenos grupos de
pessoas preocupadas ou interessadas pela importância da cultura, pela tensão,
pela mudança.
O artista não guia a
cultura nem cria padrões. Reflecte a sociedade de modo que esta veja aquilo de
outra forma poderia não ver.
O poder de comunicação do
tempo é tão forte como o da linguagem.
- o
elemento cíclico - é um dado adquirido.
- a
valorização - o tempo é valioso; não deve ser desperdiçado.
- a
tangibilidade exprime-se pelo facto de encararmos o tempo como uma mercadoria.
Os americanos consideram
a profundidade um componente necessário do tempo; por outras palavras, existe
um passado no qual o presente assenta. O americano pressupõe a profundidade do
tempo, mas não lhe atribui grande importância. Os americanos usam o tempo como
um elo entre os acontecimentos.
Quatro componentes isolados
que nos permitem distinguir cada uma das séries de duração:
- a
urgência
- o
monocronismo: significa fazer uma coisa de cada vez.
- a
atividade: distinguir fase activa de fase inativa - estar ou não estar
envolvido numa atividade.
- a
variedade - é um factor do aborrecimento, uma vez que o grau de aborrecimento
experimentado depende da rapidez com que o tempo passa.
A territorialidade -
consiste no acto de reivindicar e defender um território. Estabelece-se
rapidamente.
O espaço é organizado de
forma diferente em cada cultura.
Dominar a linguagem do
espaço é tão ou mais importante que eliminar um sotaque.
O "choque
cultural" trata-se simplesmente da eliminação ou distorção de muitos dos
sinais familiares próprios do seu país e da substituição por outros que lhe são
estranhos.
As mudanças de espaço dão
o tom e o acento à comunicação sobrepondo-se mesmo, por vezes à palavra falada.
O fluxo da palavra e a alteração da distância entre pessoas em interação são
elementos do processo de comunicação. A distância que normalmente se mantém ao
conversar com pessoas estranhas é um exemplo da importância da dinâmica da
interação espacial.
A cultura é a ligação
entre os seres humanos e os seus meios de interação com os outros.
A teoria da cultura
apresentada por Edward T. Hall depende das anteriores nos seguintes aspectos:
1. a
utilização de um modelo linguístico;
2. a
observação da cultura, no seu conjunto, enquanto comunicação;
3. o
conceito dos SPC baseados na biologia;
4. os
tipos de integração formal, informal e técnico;
5. as
derivações dessas integrações: séries, componentes isolados e padrões.
A explorar: Benjamin
Whorf , Language, Thought, and Reality. Nova Iorque. 1956.
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