terça-feira, 17 de março de 2026

Pepetela, Tudo-está ligado

Fui lendo o romance com alguma satisfação, atento à reconstrução de memórias das personagens mais importantes, Santiago, Joca, Domingos, Marta, Marília, Ofeka... Jeremias, Zacarias...Memórias profissionais, das guerras coloniais, civis e até de tempos imemoriais. Memórias filtradas por uma autocensura cumplice de um presente em que os valores deixaram de ter qualquer sentido,
Em alternativa, a utopia dos Kyakas, iluminados que regressam ao Planalto e vivem clandestinamente... sem que YAKA sinta necessidade de pronunciar-se, até porque os colonialistas portugueses há muito regressaram ao ponto de partida.
Quanto a Pepetela, talvez se reveja na afirmação do major Santiago: Tudo ligado e tudo lixado, Fazer mais como então? Só mesmo resistir.
Não fiquei muito satisfeito com o desfecho, em aberto. Pode ser que o espírito Olegário tenha a chave do futuro e que este venha a ser harmonioso... 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Do novo Presidente da República

Espero que seja honesto, sensato, ponderado e responsável e que, finalmente, António José Seguro não se deixe enredar pelos jogos de poder, seja qual for a sua natureza.
Que deixe para trás o passado, e que, na relação com os poderes constituídos, aja de acordo com a sua visão do presente e do futuro, sem se afastar da vida real, perguntando, se necessário, ao Zé Povinho o que é que vai mal...

quinta-feira, 5 de março de 2026

A noite escura chegou

«Se pudesse deixar de atormentar-me, deixar de pensar, se as ondas e as palmeiras não me acordassem à noite...» António Lobo Antunes, Não entres tão depressa nessa noite escura, 2000

A noite escura chegou, mas, paradoxalmente, para António Lobo Antunes essa noite deixou de ter o sentido que ele sempre procurou. Por vezes, essa busca mergulhou no ininteligível, deixando o leitor perdido num interminável labirinto de palavras...
Com a chegada dessa noite, findou a esperança de que um dia mudasse de passeio, atravessasse a Praça José Fontana e entrasse por uma última vez no Liceu Camões...
Admito, no entanto, que com a chegada desta noite escura, António Lobo Antunes já tenha superado o trauma e regressado à luz que desfaz as trevas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Um cidadão digital protegido

«Manterás então a lucidez e a contenção, mesmo que te custe terrivelmente, e não publicarás, em nenhuma plataforma ou serviço de mensagens, informações ou fotos que revelem o teu estado espírito, a tua condição afectiva, os teus gostos e interesses, ou as tuas tristezas e preocupações.»
      Cláudia Pina e José Vegar, CIBERCRIME, página 222.

Aqui chegado, verifico que estamos nas mãos de cibercriminosos que digitalmente conseguem controlar-nos e sobretudo, destruir qualquer tipo de segurança que pensemos eficaz. 
A liberdade, tal como a imaginámos, acabou. 
Nem os Estados conseguem defender os territórios e as pessoas, muito provavelmente, porque também eles se servem das redes para afirmarem o seu poder.
Por este andar, só voltando à Idade da Pedra.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Hoje com Sol...

Os dias sucedem-se, hoje com Sol. E alguém pergunta qual é a desculpa para não sair de casa?
Objetivamente, não sei responder. Avanço uma explicação, mas não me agrada o caminho que a conversa começa a antecipar.
Resta o sorriso da circunstância.
Pode ser que amanhã o Sol possa ser mais convincente, já que me faltam os argumentos. Melhor dizendo, há muito que deixei de contar para a decisão.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Está difícil!

Está difícil de encontrar um novo título para este blogue. De qualquer modo, o mais duro é a assistir ao desperdício do pouco sol que nos vai envolvendo... Por vezes, fico com a sensação de que há pessoas que preferem hibernar.
Infelizmente não consigo acompanhar quem prefere as trevas à luz. Se fomos dados à luz, não foi para soçobrarmos tão facilmente, tornando-nos indignos de quem nos gerou e criou.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Depressões

Não é fácil lidar com depressões sejam endógenas ou exógenas. A fuga não resolve. E a demissão é um caminho que acaba por agravar a depressão seja ela de que tipo for...
As vítimas podem ser encontradas a montante e a jusante em situação de desespero, muitas vezes, entregues a si próprias, como se a responsabilidade fosse do seu próprio destino.
Já é tempo de acabar com a fatalidade, e começar o trabalho de reconstrução em novos moldes.  Por exemplo, pedindo aos neerderlandeses que nos ensinem a proteger a costa marítima e a regular os rios.